A CONSTRUÇÃO DA MONOGRAFIA SOBRE A

REALIDADE EDUCACIONAL

 

Jorge Barcellos[1]

 

 

“Fazer uma tese significa divertir-se, e a tese é como um porco: nada se desperdiça. Umberto Eco

 

Introdução

 

A experiência propiciada pela disciplina de Políticas Educacionais, que exige uma monografia de conclusão transforma o aluno da disciplina em pesquisador por obrigação. O aluno deve acostumar-se a isso, por que ao final do curso lhe será também exigida, por força de lei, uma monografia de conclusão, muito mais complexa do que a exigida por esta disciplina. Na Unisinos, a monografia sobre Realidade Educacional constitui uma característica peculiar da disciplina. Como monografia, ela sofre dos mesmos riscos que os demais trabalhos científicos. A monografia  pode se tornar ao final um trabalho panorâmico, sem parâmetros determinados; pode repetir os mesmos esquemas fornecidos pelo professor ad infinitum, numa produção padronizada e formalista. Pode exceder-se nas informações de campo, muitas vezes coletadas a esmo, sem referência a um eixo monográfico, pode limitar-se pelo tempo real dedicado a investigação de campo, por que, ainda que haja uma exigência formal de 30 horas, nem todos os alunos dispõem deste tempo para a realização deste estudo. Para isso é preciso orientar o aluno na definição do tema proposto – a realidade escolar - ; deve aprender como  deve selecionar as fontes acessíveis na escola, ao mesmo tempo que produz seus registros; deve buscar algum método para organizar e expor suas idéias, seja ele um plano de trabalho sugerido, a redação clara, e na melhor hipótese, na combinação harmônica e equilibrada entre teoria e prática. O aluno deve ser levado a curiosidade de saber o que está por detrás da proposta de análise da realidade educacional, qual seja, a descobertas dos mundos maravilhosos e complexos que a educação pode oferecer. O aluno deve descobrir a pesquisa a que é intimado realizar com algo lúdico, prazeroso, que lhe permite ter uma nova visão sobre a realidade educacional. A monografia sobre realidade educacional é, numa palavra, a organização da investigação orientada do campo escolar. 

Uma das características do ensino universitário é o de ser de massa. Uma infinidade de alunos cursam a disciplina de Políticas Educacionais e são obrigados a realizar um trabalho que lhes demandará tempo. Para muitos, cujas condições permitem cursar uma universidade paga, com tempo disponível, o trabalho será fácil. Haverá horários, condições de leitura e reflexão. Em Como se faz uma Tese, Umberto Eco nos aponta os outros, que merecem também nossa atenção:

 

“São estudantes que provavelmente trabalham e passam o dia no cartório de uma cidadezinha de dez mil habitantes, onde só existem papelarias. Estudantes muito pobres (...) que tem dificuldade em achar uma carteira na sala superlotada e que, no final da aula, desejariam falar com o professor, mas há uma fila de trinta pessoas, e tem de apanhar o trem, pois não podem ficar num hotel.“ [2]

 

A estes alunos, Eco afirma que é possível preparar uma tese digna mesmo em situações difíceis, e a ocasião pode ser importante para recuperar o sentido progressivo do estudo, a elaboração critica de uma experiência. Para Eco, o que conta é “a aquisição de uma capacidade (útil para o futuro) de identificar os problemas, encara-los com método e expo-los segundo certas técnicas de comunicação. “[3]Observe que, para Eco, a indicação, ainda que oriunda de sua experiência no campo da letras e da filosofia, é aplicável à educação. No caso, trata-se de saber por que se deve fazer uma monografia, que é um trabalho datilografado – na melhor das hipóteses, digitado no computador – e que tem relação com os conteúdos da disciplina. Aqui não se fará uma receita de bolo, se o aluno pretende encontrar o que deverá escrever em sua monografia. O que se propõe é definir a monografia, orientar o caminho para escolher no campo as  melhores fontes, organizar o tempo de trabalho e dispor do material coletado.

 

Por que fazer uma monografia em Políticas Educacionais?

 

A monografia sobre realidade educacional  exigida pela disciplina não é uma monografia de conclusão, por isso sua extensão é  modesta. Sugere-se de 20 a 30 páginas. Após todos os trabalhos do semestre, no ultimo dia de grau, chamado Grau B, o aluno entrega, como forma de avaliação, entre outras que o professor julgar, uma monografia. A monografia deve ser, necessariamente, o maior grau do grau B, mas não o é exclusivamente. A exigência de uma monografia de campo, não era exigida pela disciplina de Estrutura e Funcionamento de Ensino, que após a reforma, passou a chamar-se de Políticas Educacionais. Contudo, como já defendemos no capítulo número 1, a disciplina é essencialmente distinta daquela, e a grosso modo,  insere-se nas disciplinas que ao longo do curso exigem uma prática de campo, que completa o número de horas legal de investimento de pesquisa.

A monografia é sempre um trabalho original de pesquisa, com o qual o aluno demonstra ser  capaz de vincular aquilo que aprende em aula sobre políticas públicas com a realidade escolar. Como se trata de pesquisa original, orienta-se ao aluno para que dedique a maior parte de seu tempo disponível para sua realização, sugerindo-se pois, que já antes do grau A, prepare aquilo que será objeto de fato, do grau B. Por que tanto tempo: por que é uma pesquisa original, onde é necessário conhecer a escola em profundidade. O aluno precisa descobrir a escola, não no sentido de uma descoberta revolucionaria da ciência,  mas de uma forma modesta, uma maneira particular de entender determinada escola visitada.  Nesse espaço, tudo vale: lançar uma releitura da vida escolar, identificar contradições no discurso e na prática de alunos e professores, sistematizar idéias dispersas. Em qualquer situação, o aluno deve produzir um trabalho que nem os próprios professores da escola poderiam conceber. Poderá conter uma parte de compilação, de seu autor desejar fazer uma leitura de bibliografia pertinente buscando harmoniza-la de forma clara. Mesmo aqui, são os problemas de pesquisa que orientam a revisão bibliográfica. É um trabalho absorvente, as vezes cansativo. Ele poderá ser útil para o trabalho de conclusão de curso, se o aluno for esperto. A esperteza reside em elaborar, ao longo de todas as cadeiras que pedem monografias, temas próximos que permitam construir, passo a passo, capítulos de uma monografia de conclusão. Claro está que uma monografia de conclusão não é o somatório dos trabalhos de um curso. Nosso conselho é dado a titulo paradoxal, para que o estudante construa um caminho fácil: numa cadeira, a leitura de um autor importante para o trabalho de conclusão, noutra, a exploração de parte da bibliografia, noutro, a exploração de um tema metodológico, e assim sucessivamente. O aluno que, com a concessão de seus professores, guiar suas próprias pesquisas, mais facilidade terá na elaboração do trabalho de conclusão. 

É por isso que o trabalho monográfico útil é aquilo que é o inicio ou a continuidade de uma pesquisa mais ampla como a de conclusão de curso. Ela tem o mérito de prosseguir nos anos seguintes, desde que haja interesse e conciliação dos trabalhos, e ao final, mais amadurecido, o próprio aluno poderá retornar aos trabalhos, vendo-os de uma forma mais critica no final do curso.

Para o aluno esperto, no entanto, existe o mesmo problema que existe para o aluno comum: identificar o tema preciso que deve ser feito. Desta definição particular, todo um trabalho de campo poderá ser validado ou invalidado, por que é ele que determina a segunda etapa, a de recolher documentação sobre o tema escolhido. O aluno deve saber familiarizar-se com um determinado assunto de pesquisa, pesquisa e organizar o que foi pesquisado, condições sem as quais não é possível conceber um bom pesquisador. Como aponta eco, fazer um trabalho significa “aprender a por ordem nas próprias idéias e ordenar os dados: é uma experiência de trabalho metódico(...) não importa tanto o tema quanto a experiência de trabalho que ela comporta”[4]. Quem souber investigar com atenção a realidade educacional, depois poderá saber com método a selecionar, numa pesquisa futura analisar o material coletado em campo  para o trabalho de conclusão. Sem a experiência que a monografia oferece, trabalhos de pesquisa mais exigentes de final de curso tornar-se-ao muito difíceis. Com a prática de diversas pesquisas, o aluno amadurece. Pesquisa é exercício, e não há melhor guia para os exercícios do que procurar conhecer aquilo que nos toca de alguma forma, seja por utilidade ou interesse. Por isso, deve o aluno fugir a fazer uma monografia sobre um tema proposto por um professor.

 

O tema da Realidade Educacional

 

A disciplina de Políticas Educacionais propõe um tema ao aluno: o da análise da realidade educacional. A razão é a importância de introduzir o aluno no campo escolar. Até este momento, tudo é determinado pelo professor. A partir de agora, o aluno tem toda a liberdade: escolher a escola, as formas de abordagem, as prioridades, etc. Há um a orientação teórica precisa, que remonta a um campo situado entre a análise etnográfica aplicada a educação, a escola como espaço sociocultural e finalmente, as análises que privilegiam a análise discursiva e institucional atravessada pelo poder.

As ciências da educação, especialmente no campo da Nova Sociologia da Educação, trouxeram a analise da escola uma contribuição fundamental. Ao propor a análise da escola [5]sob um ponto de vista da cultura, os novos estudos em educação apontaram para um olhar mais denso para a escola, que

 

“leva em conta a dimensão do dinamismo, do fazer-se cotidiano, levado a efeito por homens e mulheres, trabalhadores e trabalhadoras, negros e brancos, adultos e adolescentes, enfim, alunos e professores, seres humanos concretos, sujeitos sociais e históricos, presentes na história, atores da história”

 

Como aponta Dayrell, trata-se de privilegiar a atuação dos sujeitos na instituição escolar. A problemática do trabalho sobre realidade escolar apresenta um problema para o aluno resolver: desvendar como se opera na prática, um confronto de interesses: de um lado, como a disciplina propõe, por um lado, a análise de toda uma organização oficial e política da educa’[cão brasileira, que o (dês) organiza a todo instante. Com a introdução a disciplina e seus temas, o aluno aprende que alunos, professores, funcionários tem atribuídas funções na escola, e que eles mesmos, tem uma determinada forma de organização, hierarquização, separação, basta percorrer a escola. Por outro, os mesmos alunos, professores, funcionários, criam sua própria forma de interação – e não há escola em que não haja um código próprio de funcionamento – que permite a sobrevivência dos mesmos sujeitos. A escola se constrói no confronto de interesses. A monografia deve ser capaz de resgatar alguns desses momentos da vida escolar.

Aprender a escola com uma construção político-cultural implicar investigar o seu cotidiano, e registrar como os sujeitos se relacionam com as estruturas e entre si. O que o aluno vai registrar – depoimentos, documentos, descrições – é de pura responsabilidade do aluno e do tema escolhido. Contudo, o bom trabalho de realidade educacional é aquele capaz de marcar, de um lado, institucionalmente, o efeito do conjunto de regras e dispositivos que correspondem, numa análise preliminar, as dadas pela reforma de ensino promovida pelo governo FHC[6]. Por outro lado, na medida em que exige uma experiência de campo significativa,  o aluno deve ser capaz de registrar a cotidianidade da escola,  que nos segundo Dayrell pode ser resumida

 

“numa complexa trama de relações sociais entre os sujeitos envolvidos, que incluem alianças e conflitos, imposição de normas e estratégias individuais, ou coletivas, de transgressão e de acordos. Um processo de apropriação constante dos espaços, das normas, das práticas e dos saberes que dão forma a vida escola. Fruto da ação recíproca entre o sujeito e a instituição”   [7]

 

A monografia sobre realidade escolar deve recolocar a “reprodução do velho e a possibilidade da construção do novo”. Sua vantagem é permitir a análise da repercussão das políticas educacionais, enquanto macro-estruturas, na vida e na realidade escolar, a partir dos processos reais observados pelos alunos. A reconstrução, após a pesquisa, dessa mesma realidade poderá ser feita de diversas formas

 

1)                       monográfica ou panorâmica: Trata-se de uma monografia, ou seja, de uma abordagem de um tema único, a realidade escolar, e que se opõe, a uma acepção mais vasta, como a história da educação no meu município, ou ainda, a uma enciclopédia de informações sobre a escola visitada. É que a forma panorâmica é apenas a forma de inserção no campo de trabalho, onde se busca um pouco sobre tudo. Com o tempo, e o passar a reflexão, determinados problemas devem ser eleitos, até a construção de um esqueleto forte para dar consistência ao trabalho. Alunos que pegam o “esquema” de trabalho de campo e o exploram a exaustão, estarão produzindo uma monografia panorâmica, ou seja, uma visão ampla de dados sobre a realidade escolar. Cabe, um passo adiante, a sua análise.

 

2)                       monografia descritiva ou monografia teórica: Nem um nem outro, busque o equilíbrio.  O próprio Eco refere-se que a alternativa teórica, de produzir uma monografia teórica é uma alternativa para determinadas disciplinas, como por exemplo, a matemática. Outras, como a antropologia, tem a partir do trabalho etnográfico, e por uma parte, influência da antropologia, uma preocupação com a descrição de campo. Voltaremos adiante a este ponto. Ao contrário, a monografia de políticas educacionais propõe atacar a análise da realidade escolar, o que não pode ser feito de forma abstrata. Contudo, não está liberto da necessidade de usar da abstração para compreender esta mesma realidade. É necessário um pouco de teoria, um pouco de realidade e muita reflexão para produzir uma monografia que deixe ao lado os principais erros universitários, o uso de um discurso informal, ou ainda, excessivamente genérico. Para um texto ser adequado, é necessário verificações factuais tanto quanto teóricas, e aí, as citações são imprescindíveis. Dado que o aluno elabora seu pensamento sob a influência dos autores com os quais já tem contato ou com os quais é colocado em contato pelo professor, assinalar os momentos desta influência faz parte deste trabalho. Como aponta Eco, se tiver idéias originais, estas virão a tona também no confronto com as idéias do autor tratado..o resultado  será que todos poderão controlar o que ele disse, pois os conceitos (referidos a um pensador precedente )  que põe em jogo serão publicamente controláveis”.[8]

3)                       Temas tradicionais ou temas modernos?Ainda que determinados temas tradicionais de análise da escola sejam presentes (seus atores, suas tarefas, etc), é sempre indicado ao aluno apropriar-se das abordagens mais modernas em educação. Um tema contemporâneo é sempre mais difícil, e por isso, mais necessidade tem o estudante de enfrenta-lo o quanto antes para aprende-lo. O tema do poder, da subjetividade, da vida cotidiana, remontam a uma bibliografia extensa e as vezes, de difícil acesso para o aluno. O aluno deve exigir-se ao menos dominar um ou dois autores referentes a um tema estudado. Se por exemplo, estudou a questão do poder na escola, é pertinente uma análise que indique uma leitura de Michel Foucault, ainda que este autor já tenha sobre si mesmo uma vasta bibliografia a respeito.  Se a questão foi a cultura escola, nada impede que se recupere um autor de uma área próxima como a antropologia,  como  Robert Geertz. As vezes, o clássico é o moderno e cabe ao aluno, com o apoio do professor, descobri-los.

4)           Monografia etnográfica ou  monografia política: Ambas. Á análise etnografia é de fato um tipo de pesquisa bastante comum em  educação, e compõe o campo das abordagens qualitativas que incluem ainda, o estudo de caso, a pesquisa participante e a pesquisa ação. Como a pesquisa ‘proposta não  implica um envolvimento na produção de aulas na escola, exclui-se a pesquisa ação ou participante. As vantagens da pesquisa etnográfica para a monografia de realidade educacional  está no fato de contribuírem  com detalhes para a analise das dimensões da pratica escolar cotidiana, como a dimensão institucional, organizacional, política e pedagógica. É a abordagem que permite visão profunda , ampla e integrada da realidade escolar. Por outro lado, deve  ser uma tese política, ou seja, capaz de revelar as formas de expressão do poder na escola. O poder aí não é algo estático. Como aponta Foucault “O exercício do poder é um conjunto de ações sobre ações possíveis; opera sobre o campo da possibilidade ou se inscreve no comportamento dos sujeitos atuantes: incita, induz, seduz, facilita ou dificulta; amplia o u limita, torna mais ou menos provável; de maneira extrema, constringe o u proíbe de modo absoluta: contudo, é sempre uma maneira de atuar sobre um sujeito atuante ou sobre sujeitos atuantes”[9]  

Trinta horas é tempo suficiente para a construção de uma monografia desse tipo? Diríamos que, ainda que seja obrigatório para os alunos a dedicação deste tempo, uma monografia deste tipo merece de 20 a 30 horas de dedicação de pesquisa de campo. Considerando  que o aluno ainda terá sido avisado com antencedencia para dedicar-se, ao menos pelos seu semestre ao trabalho, calcula-se que o aluno dispõe do mesmo tempo para sua construção e redação. Se ao final deste tempo o aluno não tiver conseguido fazer sua monografia,  é por que escolheu um caminho errado de coleta de dados, ou não consegue racionalizar a pesquisa, organizar seu trabalho em etapas, o que significa ater-se a seus limites modesto, que são capazes, contudo, de produzir algo digno.  De fato, a monografia produz sua neurose e há depoimentos de alunos que dizem terem entrado sem profunda depressão por sua realização.

Problemas como este só tem uma solução: conversar com o professor da disciplina continuamente.  Escrever uma monografia é um exercício de comunicação do qual  o orientador faz parte. As dúvidas da monografia devem fazer parte das discussões de sala de aula, são os exemplos através dos quais os alunos tem a possibilidade de participar do espaço de sala de aula. Caso o aluno procure o professor momentos antes da redação, mais dificuldades terá de sanar eventuais problemas encontrados. Se o aluno deixar para o final, ou dedicar um mínimo de horas que seria obrigado para faze-lo,  caso veja no ultimo momento que não gostou do trabalho realizado, pouca oportunidade terá para modifica-lo. Desagradavel par ao aluno, que nunca deveria entregar um trabalho do qual não goste. E é o professor  que pode perceber que o caminho está certo, se os dados de campo são adequados, e pode mesmo, se perceber que o campo não está oferecendo dados, sugerir a troca de escola.

A monografia se propõe a ser um trabalho capaz de ser abordado de maneira séria e rígida  no curso espaço de tempo. Para isso, se o aluno for capaz de circunscrever o seu tema  - a análise da escola tal – dominar uma bibliografia mínima sobre os elementos centrais da sua análise – Foucault se dedicar-se ao poder na escola – e finalmente, se for capaz de recolher documentos e informações específicas, aí, senhores, estamos diante de um aluno que tem condições de realizar um trabalho. Não é tanto assim, não é?

Vamos a alguns exemplos. Posso pesquisar a vida no Colégio Rosário de Porto Alegre durante alguns dias, mas com certeza, não dominarei tudo sobre a escola. Primeiro, por que é de uma longa história, que perpassa décadas. Segundo, por que é complexa, com um grande número de alunos, funcionários, professores, ou seja, grupos. Poderei conhecer alguns grupos, alunos, professores, mas não todos. Daí nascem os limites do trabalhos, que alias , são muito naturais. Digamos que nosso aluno imaginário dedicou-se algumas horas a analisar o que os professores falam dos alunos, e o que os alunos pensam dos professores. Poderá obter tais dados por observação, ou por entrevistas. Após uma reconstituição da escola e de seu entorno, o que o aluno realmente quer analisar é o que pensam um dos outros. Daí, um capitulo sobre isso, que poderá ser o ultimo, encerra sua monografia. Daí, teremos a seguinte monografia sobre realidade educacional:”Colégio Rosário: o que pensam professores de alunos e vice-versa”. Veja: a monografia propõe-se a uma analise geral – dedique dois capítulos ou mais a fazer isso – mas faça algo singular: dedique um capitulo a isso. E aí, voi-la, estará diante de um bom subtítulo para seu trabalho, uma contribuição original e instigante sobre o tema de sua pesquisa de campo.

Outro exemplo. Pode ser que o aluno se preocupe, ao invés da educação das classes  dominantes, com a educação das classes populares e para isso, escolha uma escola de periferia para fazer o seu trabalho. Aí, imaginemos que o aluno deseje fazer  a Vida na Escola Chico Mendes. Como as escolas municipais em Porto Alegre são escolas com um projeto pedagógico bem definido, naturalmente pode encontrar o projeto e professores preocupados em coloca-lo em prática. E poderá estar numa situação privilegiada de observador, contrapondo o que representam para si os professores e o que verifica. Após uma analise da escola e da comunidade que a cerca, algo do tipo seguinte pode ocorrer “Escola Chico Mendes:do projeto político pedagógico à realidade”. Qualquer alternativa, lembre-se que você precisará de um tempo mínimo, equivalente ao dedicado ao campo para escrever. Pensar que uma monografia pode ser feito numa hora é sonhar nas nuvens.

     

A pesquisa de campo:

 

A monografia de políticas educacionais estudo a escola por meio de instrumentos determinados. Uma escola pode ser estudada pelos documentos que produz no seu dia a dia. Se o aluno se dedicar mais em seu trabalho a uma análise da documentação legal ou registros da escola, e que incluem, por que não , uma passagem pelo livro de Ocorrências da escola, teremos uma monografia cujo titulo poderá ser “Escola Castro Alves: uma análise do funcionamento da burocracia escolar”.  Seu autor utilizará, como fontes primárias, ordens de serviço, registros burocráticos, normas, registros de ocorrências, fotografias,  que serão chamadas de “fontes primárias”. Se o aluno se dispuser a buscar nos autores que analisam a mesma perspectiva escolar, os livros que selecionar serão as fontes secundárias ou a literatura critica.

De fato, o que caracteriza a pesquisa da monografia de políticas educacionais é que uma proposta sobre um fenômeno real.É o que acontece com professores, alunos, funcionários, no seu cotidiano, em contato com as normas e regulamentos escolares que faz a matéria prima sobre a qual versa o trabalho.  Por isso, as fontes são tudo o que a escola produz, o que inclui textos escritos, mas também discursos, falas, situações, cenas, relatos do dia a dia, vivências sem as quais não existe a escola como tal.  Toda a bibliografia que permita ao aluno fazer uma reflexão e uma análise critica é chamada de literatura critica, que nada mais é do que uma fonte de segunda mão. Há já no mercado editorial, diversos estudos sobre a natureza da escola, do poder, da cultura e da vida cotidiana. Agora, “Escola Castro Alves: uma introdução a sua vida cotidiana’, somente o aluno será capaz de fazer.Isso não exclui o aluno de saber, ao menos em parte, alguns detalhes apontados em alguns autores considerados da literatura crítica (que o professor poderá indicar ou trabalhar em aula),  mas o aluno deve ter em mente que o seu interesse é discutir os aspectos levantados na pesquisa de campo a luz dos interpretes sobre a escola. Admitamos que um aluno, ao investigar a Escola Municipal Maria Imaculada, encontrou muitos elementos que justificam um espaço especial para a presença da comunidade na escola. Orientado pelo professor, ao menos deverá ter uma noção do que Victor Paro indica em Por Dentro da Escola Publica, nem que seja, ao menos para ter uma visão do tipo de análise que é possível fazer e o perfil de conclusões que é possível tirar de uma análise que incluía a comunidade escolar. Dai, o tema da monografia poderá passar a ser Escola Municipal Maria Imaculada: a escola e a participação da comunidade. De fato, o passo além da caracterização da realidade escolar – que os esquemas de pesquisa ao final desta monografia indicam – o aluno deve ser capaz de criar um texto consistente e original sobre a analise da realidade escolar.

Como trabalho de campo, o aluno precisa saber que não basta ter uma escola selecionada, ou que o aceite a pesquisar. De fato, é preciso saber, logo nos momentos iniciais de primeiros contatos, se a escola aceita de fato e concede em acessar ao menos parte de sua documentação a pesquisa. Ou seja, o que o aluno deve ter claro para iniciar seu trabalho é se na escola selecionada, as fontes são facilmente acessíveis e se tem condições de pesquisa-las. Secretários de escola podem ser muito atenciosos, mas há aqueles bastante reservados quanto ao aceso de documentos. Portanto, o aluno deve escolher bem sobre o que quer escrever. Só deve trabalhar sobre o que tem, e da literatura, ler o fundamental e o possível, se é que já não é trabalhado em aula. Um aluno que more numa cidade, dificilmente terá sucesso fazendo sua monografia sobre uma escola de outra cidade, ainda que lá tenha estudado – há os deslocamentos, o tempo despendido, etc. Há no entanto, algumas coisas básicas que, sem muito aprofundar naquilo que se denomina Técnicas de Pesquisa, pode auxiliar no desenvolvimento de uma boa monografia

 

Pesquise  fontes primárias

 

Na realidade escolar, fonte primária será o testemunho original coletado, o documento original copiado ou a situação de campo observada. Se pretendo analisar o pensamento dos professor es quando a questão da disciplina escolar, em determinado capitulo de minha monografia, os discursos (entrevistas) dos professores que contatei constituem a fonte primária básica sobre a qual será construído o capítulo.  Documentos oficiais, circulares, são fontes secundárias importantes, mas sempre secundárias: nada me garante que aquilo que está nos regulamentos e nos documentos, faça parte do cotidiano escolar. Uma reprodução de uma ata de reunião de professores também é uma boa fonte primária,q eu posso reproduzir anotando, ou solicitando uma fotocópia. Do ponto de vista da monografia, fonte primária, fonte primária é aquela fonte original que remonta ao dia a daí da escola. Caso o aluno deseje fazer uma monografia sobre a Escola Maria Imaculada, centrado nas análises contidas no livro de ocorrências, o livro será a fonte primária. O que não pode é encaixar documentos que não lei. Precisando acabar a monografia, o aluno junta todos os documentos primários que reuniu na escola, sem análise propriamente dita. Poderá ficar surpreso que juntou dois documentos iguais com datas diferentes, apenas confirmando atos anteriores. A monografia não é uma série de documentos da escola, mas uma análise critica de uma experiência de campo cujo objetivo é trazer ao leitor, um pouco da dimensão da vida da escola.

 

Dedique-se a um pouco de conversa:

 

Thedore Zeldin, em “Conversação”, explora um detalhe que pode ser útil ao estudante que faz uma monografia como esta: sempre aproveite uma boa conversa. Para uma pesquisa de campo, é preciso o contato que só uma boa conversa permite. O estimulo a auto-expressão, ao compartilhamento de informações, o buscar fazer-se entender que, se de um lado esta se fazendo uma pesquisa, de outro, fazer-se entender que há muito a colaborar para a vida na escola pode colaborar melhor ser inserido no meio. Nem toda a conversa dará a você a informação que necessita sobre a escola. A meta de cultivar na escola uma boa conversa – dar tempo para os outros falarem, perder tempo na escola, explorar os sujeitos em “silencio” pode ser uma estratégia interessante de trabalho.  Como aponta Zeldin

 

 “O tipo de conversa que estou interessado é aquele em que você deseja sair dela pelo menos um pouco mudado. Conversas são sempre uma experiência, cujos resultados jamais podem ser garantidos. Há muitos riscos envolvidos. São uma aventura na qual concordamos em cozinhar juntos o mundo, tentando tornar seu paladar um pouco menos amargo”[10]

 

Uma simples conversa pode levar-nos a compreender como funciona a escola. Em contato com professores, funcionários, alunos, podemos descobrir coisas que não imaginávamos. Todos na escola possuem seus segredos, seus desejos, suas imagens sobre a vida na escola cuja verbalização é uma necessidade. Todos buscam alguém para confidenciar o que pensam. Os acontecimentos mais importantes da vida da escola estão frescos na mente de seus atores, e cabe a vocÊ dar oportunidade de que venham a tona. Há aqueles naturalmente fechados, que não adianta forçar. Esses, desista. Mas descubra aquele que está esperando por você para conversar, inclusive naquelas escolas em que conversar sobre determinados temas pode ser muito perigoso. Esta já é uma informação importante para sua pesquisa, pois como se sabe, “o uso das palavras confere poder”.  Lembre-se que a pesquisa é uma investigação e a boa conversa, o instrumento que tem duas pessoas  que possuem lembranças  e hábitos diversos. Como qualquer reconstituição, evidentemente que passa por uma reelaboração. Toda fonte, ao evocar a memória de um grupo (da escola, por exemplo),  transforma os fatos, os dá nova forma, tiram novas implicações.

 

“conversar não é apenas reembaralhar as cartas: é criar novas cartas para o baralho. E é esse o aspecto que me interessa. É aí que encontro o estimulo. A conversa é uma centelha criada por dois espíritos, duas mentes. E o que realmente quero  descobrir é quais são os novos banquetes de conversação que poderemos criar a partir dessas centelhas”[11].

 

Aquilo que os professores conversam no seu lugar de trabalho também é um ponto importante de sua pesquisa. Investigue isso.Veja como cada vez mais, trabalhar consiste em falar. De que falam os professores? O que chama sua atenção? Do que falam alunos”? E os funcionários? Veja que tipo de assunto predomina, anote, interprete, releia-o a luz das necessidades e características da educação brasileira.

 

Preste atenção aos detalhes”: use as notas

 

Boa parte dos alunos perde a oportunidade de fazer uma boa monografia pelo desprezo ao uso de notas de pé de páginas.  Grafton [12] assinala que a nota de rodapé era uma forma nobre de arte literária. Pensadores antigos relegavam as notas de rodapé aquilo que não desejavam falar e que podiam subverter a ordem. Permitia ironias, paralelos, informações acessórias, estando Gibbon e Jacob Bernays, como  os pioneiros nessa arte estranha.

A importância das notas de rodapé é dupla no discurso científico: por um lado,  permite trabalhar com detalhes informações sobre as fontes de pesquisa que não cabem no discurso de uma monografia. Por outro, possibilitam a construção de uma outra narrativa, sem a qual o discurso monográfico fica excluído da crítica. Aprender a redigir notas de rodapé constitui parte da versão moderna de aprendizado, diz Grafton. Relatando a experiência de historiadores,  comenta

 

“A maioria dos historiadores começa em pequena escala, durante as semanas frenéticas em que se dedicam a escrever artigos que devem ser lidos em voz alta nos seminários  de seu professor. Nesse ponto, suas notas de rodapé são apenas vistas, não lidas. Elas formam uma massa indistinta de texto impresso em caracteres minúsculos, vistas de relance no pé da página, que se move para cima e para baixo nas mãos tremulas do balbuciante e nervoso orador. Mais tarde, nos longos meses gastos na composição de uma dissertação, os estudantes passam do estilo artesanal para o industrial na produção de notas de rodapé,  na esperança de que  eu orientador e outros membros da banca examinem sua obra e até mesmos futuros colegas e empregadores fiquem impressionados com as horas de árduo trabalho  no arquivo da biblioteca, atestadas pelas longas notas”(p. 17).

 

Para o autor, a nota de rodapé é como o banheiro: essencial em um trabalho, entendiante as vezes, chamando a atenção quando funciona mal. Ajuda-nos a lidar com as coisas feias, ficam fora da vista,  lugar banal. Podem ser usadas para todo o tipo de coisa possível, agradecimentos, ficção, referencias a série de livros pesquisados, e principalmente, dão legitimidade ao trabalho, conferindo autoridade ao seu autor.  Pode as vezes ser divertida, servido para dar “facadas nas costas”de autores. As notas variam em natureza, conteúdo, e possuem relações com  as comunidades acadêmicas de forma particular. Permite que o leitor siga os caminhos tortuosos do autor, procedimento que ajuda a compartilhar dúvidas, inquietações. Ajudam a especificar as provas de um texto cujo argumento deve convencer. Para os aprendizes nas artes da erudição técnica, aprender a usar notas é um momento importante para a elaboração da monografia de conclusão e curso. É claro que elas ajudam a convencer o leitor de que foi executada uma pesquisa extensa por que de fato, trabalham as fontes que o pesquisador realmente utilizou.

 

 

 

 

Registre tudo: utilize um diário

 

A abordagem científica de base em um trabalho de campo orienta para o uso de um instrumento, o diário de campo. Para Elsa Falkemback [13]”Consiste num instrumento de anotações – um caderno com espaço suficiente para anotações, comentários e reflexão – para uso individual do investigador no seu dia a dia, tenha ele o papel formal de educador, investigador ou não” Qualquer interpretação que a posteriori o trabalho realize, é a partir  de uma observação direta dos comportamentos sociais na escola que eles são construídos. Ou seja, é a partir do que o pesquisador observou e registrou que todo o edifício da monografia é construído. Não se pode estudar a vida na escola como o zoólogo, observado. É preciso comunicar-se, compartilhar experiências de forma transitória.  Na antropologia, este movimento é o fundador da própria ciência, naquilo que se chama etnografia. Para realizar este movimento, é preciso coletar, através de um método qualquer, um grande quantidade de informação, transformar a vida na escola numa obsessão de registro, onde devem ser preservadas as dúvidas, as angustias, as inquietações.  No curto período de vivência na escola, o aula vive uma imersão total, no qual deve  buscar as  significações que os sujeitos atribuem as coisas de seu dia a dia.  Essa apreensão é fugaz e deve ser constantemente registrada em um diário. Diário de campo é um caderno, desses de escrever, em que anotamos tudo o que ouvimos, tudo o que vemos, tudo o que falamos.  É o instrumento que permite a apreensão da escola como é percebida de dentro pelos seus sujeitos. O educador, de fato, aqui se comporta como um etnólogo, recolhe testemunhos, analisa, mantém-se próximo e distanciado ao mesmo tempo.  Deve ser capaz de dar uma explicação e fornecer soluções para os problemas que encontra no dia a dia. Persegue um modo de conhecimento que se constrói no dia a dia, numa busca as vezes errante, com erros, que devem ser levados em conta. A riqueza do trabalho está justamente em se ao mesmo tempo que possibilita uma experiência, cria descobertas pessoais.

O diário de campo é o instrumento onde é anotado o que é infinitamente pequeno. Conforme João Bosco Pinto “ nele se anotam todas as observações de fatos concretos, fenômenos sociais, acontecimentos, relações verificadas, experiências pessoais do investigador, suas reflexões e comentários”[14].Registramos nele os grupos que encontramos na escola , de jovens e velhos, professores e professores, funcionários e alunos .  Pois a riqueza do trabalho e sua contribuição a escola está justamente no fato de que dá atenção a esses fatos residuais do dia a dia. Estudos recentes em educação aponta para a importância da abordagem do cotidiano e do pequeno, que iluminam o funcionamento do todo.  A pergunta que se faz é: que fará o jovem pesquisador quando confrontado com o problema que relacionar a vida na escola com as macropolilticas sociais? Resposta: em primeiro lugar, ele vai primeiro procurar dentro da escola, se não encontrar indicadores importantes dessas mesmas macropoliticas.  Pois de fato, uma exigência feita é levar em conta a totalidade, duplamente. Por um lado, no campo das políticas sociais, que afetam a vida escolar. De outro, a totalidade que a própria escola representa e que cabe a ele analisar.

A importância do diário de campo está no fato que é um instrumento de formação de pesquisador, pois forma e  aperfeiçoa a capacidade de observação do estudante, pois o impele a reunir em um único lugar informações, opiniões, análises preliminares Segundo João Bosco Pinto[15]

 

”cronológicamente falando, o diário de campo é o primeiro instrumento da metodologia de investigação ação(...) Ele facilita criar o hábito de observar com atenção, descrever com precisão e refletir sobre os acontecimentos de um dia de trabalho”.

 

 É portanto necessário a combinação com outras técnicas de investigação.  Elza Falkenbach enumera algumas questões para usa-lo. Primeiro,  as observações devem ser precedidas de data completa, hora e lugar onde foram feitas. Depois, deve ser organizado com uma descrição dos fatos concretos e fenômenos sociais e a segunda, uma interpretação do que foi observado, explicitado o fenômeno em suas interpelações e raízes. AO final, devem ser registradas as conclusões,  dúvidas, imprevistos, desafios. O fato de ser um registro, implica uma dupla atenção quanto aos depoimentos. Diz Falkenbach:

 

 “convém relatar individualmente também os resultados de discussões que venham ocorrendo entre técnicos e educadores e destes com os setores populares durante o processo de observação”[16].

 

O aluno não precisa temer o diário.Nele são anotados o que está acontecendo a sua frente, simplesmente. Como as atividades são realidadas, em que condições, quais as relações entre os atores, antes, durante e depois, o meio físico e social, as visões de mundo dos sujeitos no sem ambiente, valores, o nível de consciência. Também podem ser registrados. A razão disto é que “um dos primeiros elementos da observação científica é o registro completo e preciso do [fato]observado. O diário de campo busca evitar que as pessoas, ao fazerem um trabalho científico, fiem-se na memória para recordar o que viram”, assinala Pinto.                                             

 

Após, estabeleça um plano de trabalho para a construção da monografia. Ë o plano lógico. Escreva o titulo, a introdução e o índice.  Proponha-se um plano que assumirá como roteiro, na forma de seu índice.  O sumario indicará os capítulos a serem feitos.  Ë preciso encontrar o que é o  núcleo e o que é a periferia do trabalho, pois é no núcleo que você deve se dedicar mais.  Para isso, você precisa ter em mãos o diário, em forma avançada de coleta,  para ver o material de que dispõem. A lógica de apresentação corresponde ao do roteiro proposto, primeiro do mais abrangente (comunidade) para o mais especifico (escola). Faça um diagrama de  arvore onde, apartir de um problema central encontrado na escola, você desdobra os secundários. Pense numa arvore na qual a lógica interna é dada por parágrafos e subparágrafos que correspondem  a assuntos.  Mas não exagere nas divisões. 

 

A redação da monografia  em 50 regras:

 

1 - Seja claro, preciso, direto, objetivo e conciso. Use frases curtas e evite intercalações excessivas ou ordens inversas desnecessárias. Não é justo exigir que o professor faça complicados exercícios mentais para compreender o texto.

 

2 - Construa períodos com no máximo duas ou três linhas de 70 toques. Os parágrafos, para facilitar a leitura, deverão ter cinco linhas datilografadas, em média, e no máximo oito. A cada 3 páginas, convém abrir um subtítulo.

 

3 - A simplicidade é condição essencial do texto acadêmico. Lembre-se de que você escreve para o público universitário, em nível universitário, o que  significa um grau de complexidade compatível entre a análise conceitual e o direito de entender qualquer texto.

 

4 - Adote como norma a ordem direta, por ser aquela que conduz mais facilmente o professor à essência da argumento. Não confunda detalhes importantes da vida cotidiana com detalhes irrelevantes e vá diretamente ao que interessa, sem rodeios.

 

5 - A simplicidade do texto não implica necessariamente repetição de formas e frases desgastadas, uso exagerado de voz passiva (será iniciado, será realizado), pobreza vocabular, etc. Com palavras conhecidas de todos, é possível escrever uma monografia de maneira original e criativa e produzir frases elegantes, variadas, fluentes e bem alinhavadas. Nunca é demais insistir: fuja, isto sim, do academicismo, dos rebuscamentos, dos pedantismos vocabulares, dos termos técnicos evitáveis e da erudição. Isto não é acadêmico.

 

6 - Não comece períodos ou parágrafos seguidos com a mesma palavra, nem use repetidamente a mesma estrutura de frase.

 

7 - O estilo universitário é superior a linguagem jornalística e falada. Por isso, evite tanto a retórica e o hermetismo como a gíria, o jargão e o coloquialismo.

 

8 - Tenha sempre presente: o espaço hoje é precioso; o tempo de leitura, também. Relate o fato no menor número possível de palavras: por que opor veto a em vez de vetar, apenas? No entanto, seja prolixo no que se refere  as longas descrições do trabalho de campo.

 

9 - Em qualquer ocasião, prefira a palavra mais simples: pretender é sempre melhor que objetivar, intentar ou tencionar; voltar é sempre melhor que regressar ou retornar; passageiro é sempre melhor que usuário; entrar é sempre melhor que ingressar.

 

10 - Recorra aos conceitos teóricos absolutamente indispensáveis e nesse caso coloque o seu significado a seguir, ou sob a forma de citação, ou no pé de página. Você já pensou que até há pouco se escrevia sobre a vida cotidiana sem conceitua-la de forma precisa? Que relatava-se fatos que ocorriam na escola se sem referir a seu projeto político-pedagógico?  Que discutiam o que o governo fazia e não denominavam determinavam as “políticas educacionais”? Adote como norma: os leitores de monografias, na maioria, são pessoas familiarizadas com o jargão acadêmico, quando não com formação específica em uma área.

 

11 - Nunca se esqueça de que o texto acadêmico funciona como intermediário entre o fato ou fonte de informação e a sua interpretação acadêmica. Você não deve limitar-se a transpor para o papel as declarações do entrevistado, por exemplo; faça-o dando-lhe uma interpretação pessoal ou baseado em suas leituras, de modo que qualquer leitor possa apreender o significado das declarações. Se os depoentes  possuem uma fala repleta de tiques, falarem em pô, você pode suprimir, sem nenhum prejuízo. Da mesma algumas expressões rebuscadas podem ser traduzidas, como  patamar por nível, posicionamento por posição, agilizar por dinamizar, conscientização por convencimento, se for o caso, e assim por diante. Abandone a cômoda prática de apenas transcrever: ofereça transcrições pessoais, você vai ver que o seu texto passará a ter o mínimo indispensável de aspas e qualquer entrevista, por mais complicada, sempre tenderá a despertar maior interesse.

 

12 - Procure banir do texto os modismos e os lugares-comuns. Você sempre pode encontrar uma forma elegante e criativa de dizer a mesma coisa sem incorrer nas fórmulas desgastadas pelo uso excessivo. Veja algumas: a nível de, deixar a desejar, chegar a um denominador comum, transparência, instigante, pano de fundo, estourar como uma bomba, encerrar com chave de ouro, segredo guardado a sete chaves, dar o último adeus. Acrescente as que puder a esta lista.

 

13 - Dispense igualmente os preciosismos ou expressões que pretendem substituir termos comuns, como: causídico, Edilidade,  elenco de medidas, data natalícia, primeiro mandatário, chefe do Executivo, precioso líquido, aeronave, campo-santo, necrópole, casa de leis, petardo, fisicultor, Câmara Alta, etc.

 

14 - Proceda da mesma forma com as palavras e formas empoladas ou rebuscadas, que ao invés de revelar academicismo, tentam transmitir ao leitor mera idéia de erudição. A monografia não tem lugar para termos como tecnologizado, agudização, consubstanciação,  operacionalização, mentalização, transfusional, paragonado, programático, emblematizar, congressual, instrucional, embasamento, dialogal, transacionar e outros do gênero.

 

15 - Não perca de vista o universo vocabular da sua área de conhecimento. Adote esta regra prática: nunca escreva o que você não leria em bom livro de sua área. Assim, alguém rejeita (e não declina de) um convite, protela ou adia (e não procrastina) uma decisão, aproveita (e não usufrui) uma situação. Da mesma forma, prefira demora ou adiamento a delonga; antipatia a idiossincrasia; discórdia ou intriga a cizânia; crítica violenta a diatribe; obscurecer a obnubilar, etc.

 

16 - O rádio e a televisão podem ter necessidade de palavras de som forte ou vibrante; o texto acadêmico, não. Assim, professor é professor e não professorzão! Da mesma forma, rejeite invenções como aulaço, galera (como grupo) e similares.

 

17 – A mesma regra vale para a inclusão de palavras ou expressões de valor absoluto ou muito enfático, como certos adjetivos (magnífico, maravilhoso, sensacional, espetacular, admirável, esplêndido, genial), os superlativos (engraçadíssimo, deliciosíssimo, competentíssimo, celebérrimo) e verbos fortes como infernizar, enfurecer, maravilhar, assombrar, deslumbrar, etc.

 

18 - Termos coloquiais ou de gíria deverão ser usados com extrema parcimônia e apenas em casos muito especiais (nos diálogos, por exemplo), para não darem a idéia de vulgaridade e principalmente para que não se tornem novos lugares-comuns. Como, por exemplo: a mil, barato, galera, detonar, deitar e rolar, flagrar, com a corda (ou a bola) toda, legal, grana, bacana, etc.

 

19 - Seja rigoroso na escolha das palavras do texto. Desconfie dos sinônimos perfeitos ou de termos que sirvam para todas as ocasiões. Em geral, há uma palavra para definir uma situação.

 

20 - Faça textos imparciais e objetivos. Não exponha opiniões, mas fatos, para que o leitor tire deles as próprias conclusões. Defenda sua opinião, sempre após apresentar as duas faces de uma questão, e quando a fizer, baseie-se em fatos ou teoria comprovada. Em nenhuma hipótese se admitem textos como: Demonstrando mais uma vez seu caráter volúvel, o professor João da Silva alterou a matéria. Seja direto: O Professor João da Silva ao invés de lecionar a matéria prevista, preferiu não dar aula. É a terceira vez na semana em que faz isto. O caráter do professor ficará claro pela simples menção do que ocorreu.

 

21 - Lembre-se de que a monografia expõe também as suas opiniões ao longo do texto. Permita-se manifestar seus pontos de vista em momentos de sua monografia, registrando sua interpretação para versões diferentes de um mesmo fato, sempre justificando-a . Nunca deixe de conduzir a análise segundo as linhas de seu raciocínio, definidas com base em dados fornecidos por fontes de informação ou pelas leituras teóricas feitas ao longo de sua formação

 

22 – Prefira não usar formas pessoais nos textos, como: Disse-nos o professor ele disse ... / Em conversa com a Secretária de Educação, ela nos disse que... Opte por transformar em citação o que você deseja incorporar no texto do trabalho, quase como se fosse citar um texto de livro.  Algumas dessas construções cabem para certas situações, como defesa de tese ou monografia de conclusão. Converse com seu professor sobre o critério adotado.

 

23 - Como norma, coloque sempre em primeiro lugar a designação do cargo ocupado pelas pessoas e não o seu nome: O diretor da escola de Sapiranga Pedro da Silva,  o secretário de educação do município Paulo da Silva. É em função do cargo ou atividade que, em geral, eles se tornam fonte de sua monografia. A única exceção é para cargos com nomes muito longos. Exemplo: O engenheiro João da Silva, presidente do Núcleo de Educação e Cultura do Sindicato dos Professores das Escolas Particulares de Santana do Livramento do Sudoeste do Rio Grande do Sul.

 

24 - Você pode ter familiaridade com determinados termos ou situações, mas o professor, certamente  não. Por isso, seja explícito nas informações e não deixe nada subentendido. Escreva, então: O professor coordenador da disciplina da escola de primeiro e segundo grau disse o seguinte e não apenas: O professor disse.

 

25 – Ao introduzir em um capítulo, uma descrição da realidade escolar, o primeiro parágrafo deve fornecer a maior parte das respostas às seis perguntas básicas: o que, quem, quando, onde, como e por quê. As que não puderem ser esclarecidas nesse parágrafo deverão figurar, no máximo, no segundo, para que, dessa rápida leitura, já se possa ter uma idéia sumária do que pretende ser analisado.

 

26 - Não inicie a monografia  com declaração entre aspas e só o faça se esta tiver importância muito grande (o que é a exceção e não a norma).

 

27 - Procure dispor as informações em ordem decrescente de importância (princípio da pirâmide invertida), para que, no caso de qualquer necessidade de corte na monografia, os últimos parágrafos possam ser suprimidos, de preferência.

 

28 - Encadeie o texto de maneira suave e harmoniosa e com os parágrafos seguintes e faça o mesmo com estes entre si. Nada pior do que um texto em que os parágrafos se sucedem uns aos outros como compartimentos estanques, sem nenhuma fluência: ele não apenas se torna difícil de acompanhar, como faz a atenção se dispersar no meio da monografia.

 

29 - Por encadeamento de parágrafos não se entenda o cômodo uso de vícios lingüísticos, como por outro lado, enquanto isso, ao mesmo tempo, não obstante e outros do gênero. Busque formas menos batidas ou simplesmente as dispense: se a seqüência do texto estiver correta, esses recursos se tornarão absolutamente desnecessários.

 

30 - A falta de tempo para escrever exige que o estudante escreva monografias cada dia mais curtas (10 ou 20 páginas, em média). Por isso, compete ao autor e ao professor da disciplina selecionar conjuntamente um referencial do número mínimo de páginas, como um critério a mais, entre outros, para expor as informações disponíveis, para que o aluno seja incentivado a incluir as essenciais e abrir mão das supérfluas. Nem toda a resenha cabe em vinte páginas, mas com certeza, um bom trabalho de campo com análise e interpretação  que possa ser cortada pelo pé sem maiores prejuízos dará ao menos quinze páginas. Quando houver tempo, reescreva o texto: é o mais recomendável. Quando não, vá cortando as frases dispensáveis.

 

31 - Proceda como se o seu texto seja o definitivo,   tal qual você deseja  entregar. O ritmo de final de semestre, onde avolumam-se os trabalhos, nem sempre permite que o aluno faça uma boa revisão completa do original. Assim, depois de pronto, reveja e confira todo o texto, com cuidado. Afinal, é o seu nome que assina a monografia.

 

32 - O recurso à primeira pessoa só se justifica em alguns tipos de monografia, em geral, nas de enfoque social-antropológico, como a proposta da disciplina de Políticas Educacionais. O aluno  poderá descrever os fatos dessa forma, como participantes, testemunhas ou mesmo personagens de acontecimentos importantes. Fique a ressalva: nem todos os professores preferem a adoção desta forma. Por isso, consulte-o sempre.  

 

33 - Nas informações em seqüência, nunca deixe de se referir, mesmo sumariamente, aos antecedentes do caso. Nem todo professor pode estar a par dos acontecimentos localizados em municípios no qual ele não habita.

 

34 - A correção das monografia responde, ao longo do tempo, pela credibilidade do aluno. Dessa forma, não dê informações apressadas ou não confirmadas nem inclua nelas informações sobre as quais você tenha dúvidas.  Mesmo que a monografia já esteja em processo de composição, sempre haverá condições de retificar algum dado impreciso, antes de entrega-la ao professor da disciplina.

 

35 - A correção tem uma variante, a precisão: confira habitualmente os nomes das pessoas, seus cargos, os números incluídos numa tabela,  somas, datas, horários, enumerações. Com isso você estará garantindo outra condição essencial da monografia, a confiabilidade.

 

36 - Nas versões conflitantes, divergentes ou não confirmadas, mencione quais as fontes responsáveis pelas informações ou pelo menos os setores dos quais elas partem (no caso de os informantes não poderem ter os nomes revelados). Toda cautela é pouca e o máximo cuidado nesse sentido evitará que o autor da monografia tenha de fazer desmentidos desagradáveis.

 

37 - Quando um mesmo assunto aparecer em mais de um capítulo da monografia, deverá haver remissão, em itálico, sob a forma de nota de pé de página, de uma para outra: Retornarei a este argumento, no capítulo seguinte, quando tratarei ....

 

38 - Se você tem vários trabalhos para escrever ao final do semestre, durante o curso adote a técnica de centrar seu estudo sobre um campo de problemas determinado e uma base teórica comum de interpretação. Desenvolva  o hábito de centrar sua leitura sobre a obra completa de um número limitado de autores (seja da sociologia ou da política): eles passaram a ser o seu referência teórico, oferecendo os conceitos de base para a interpretação da realidade. Você ganhará tempo, utilizará sua base teórica em mais trabalhos, conseguindo maior profundidade e evitará que algum dado relevante fique fora da monografia.

 

39 - Nunca deixe de ler até o fim sua monografia nos momentos de revisão antes da entrega do trabalho. Mesmo que você tenha apenas 5 minutos para rever o texto, talvez naquelas 15 linhas que faltam para serem lidas, poderão conter informações dispensáveis que seriam melhor desfazer.  

 

40 - Preocupe-se em incluir no texto detalhes adicionais que ajudem o professor a compreender melhor o fato e a situá-lo: local, ambiente, antecedentes, situações semelhantes, previsões que se confirmem, advertências anteriores, etc.Utilize os rodapés para isso.

 

41 - Informações paralelas a um fato contribuem para enriquecer a sua descrição. Se o aluno dorme durante a aula que você observa, isso deve ser anotado; idem se ele coloca os pés sobre a classe e o professor consente, se fica conversando enquanto o professor dá aula, se faz trejeitos enquanto o professor escreve no quadro-negro, etc. Trata-se de detalhes que significam algo em uma descrição do espaço escolar, ao menos, da relativa monotonia que aulas muito áridas podem ter.

 

42 – Nas observações de campo, registre em seu diário as atitudes ou reações das pessoas, desde que significativas: mostre se elas estão nervosas, agitadas, fumando um cigarro atrás do outro ou calmas em excesso, não se deixando abalar por nada. Em matéria de ambiente, essas indicações permitem que o professor saiba como os personagens se comportavam no momento da entrevista ou do acontecimento.

 

43 - Trate de forma impessoal os funcionários da escola, por mais conhecidos de você eles sejam: a professora Maria da Gloria, e nunca a Glorinha, o Diretor João da Silva e não o Joãozinho , etc.

 

44 - Sempre que possível, mencione no Relatório a fonte da informação. Ela poderá ser omitida se gozar de absoluta confiança do aluno, e, por alguma razão, convier que não apareça na monografia. Recomenda-se, no entanto, que o Relatório indique  alguma idéia da procedência da informação, com indicações como: Pelo menos dois funcionários da escola garantiram quando a visitei ..., etc.

 

45 – Se no capítulo, diversos professores de escolas diferentes forem reunidos,  coloque entre parênteses o nome da escola: o professor João dos Santos (Escola Municipal Santa Bárbara, Porto Alegre-RS), o professor Francisco de Almeida (Escola Estadual Diogo Feijó, Candelaria-RS). No caso de professores de um mesmo município,  mencione entre parênteses apenas o nome da escola .

 

46 – A monografia não admite generalizações que possam atingir toda uma classe ou categoria, raças, credos, profissões, instituições, etc. Preserve avaliações sempre de forma circunscrita ao espaço investigado. Evite generalizações.

 

47 - Um acontecimento escolar muito sugestivo ou importante resiste até a um mau texto escrito. Não há, porém, acontecimento mediano ou meramente curioso que atraia a atenção do professor, se a informação se limitar a transcrever burocraticamente e sem maior interesse os dados para a monografia.

 

48 - Em caso de dúvida, não hesite em consultar dicionários, enciclopédias, almanaques e outros livros de referência. Ou recorrer aos colega ou o professor, que sempre pode ser contatado, por e-mail ou telefone, em caso de dúvida.

 

49 - Veja um exemplo de textos monográfico objetivo, simples e direto, constituído de frases curtas e incisivas

 

Os alunos passaram a ser fator importante para as estratégias dos professores da Escola Municipal João Aranha, em Livramento, RS. Dos 261 alunos contatados pela Direção da Escola,  82,8% disseram que iriam a escola mais vezes se houvesse turno integral com refeições. A falta de infraestrutura da escola foi apontado por 34,5% dos alunos como o segundo motivo básico para o retorno a sala de aula. De  posse destes dados, professores  e direção da escola passaram a exigir diariamente a SEC, o turno integral e a melhoria da escola.A SEC realizou licitações, alterou o calendário do município e hoje os alunos  retornaram a sala de aula em melhores condições.

 

50 – Habitue-se a guardar, em arquivos de disketes, seus trabalhos mais ricos, seu arquivos de Internet mais interessantes. Acompanhe pela Internet, diariamente, os principais jornais e copie arquivos da área de seu interesse.  Eles são fonte permanente de consulta para monografias.

 



[1] Professor de Políticas Educacionais da UNISINOS.

[2] P. XIV

[3] idem

[4] idem, p. 5

[5] Juarez Dayrell, A Escola Como espaço sócio-cultural, p. 137. in : ____Múltiplos olhares sobre educação e cultura, MG, UFMG, 1999.

[6] Conforme aulas 1 e 2.

[7] Dayrell, p. 137.

[8] Eco, p. 12

[9] Foucault, M. O  sujeito e poder. Revista Mexicana de Sociologia, v/2no. 3, 1988,  p. 25

[10] Zeldin, p. 16.

[11] Idem, p. 29.

[12] Grafton, Anthony. As origens trágicas da erudição. Pequeno tratado sobre a nota de rodapé. Papirus, 1998.

[13] Diário de campo: um instrumento de reflexão. Contexto e Educação, Universidade de Ijuí, ano 2, no. 7, jul/setembro 1987, p. 19-24.

[14] Pinto, id.ibid.

[15] Teoria e Pratica da Pesquisa Ação (mimeog).

[16] Idem, p. 22.