O IMPACTO DAS NOVAS TECNOLOGIAS SOBRE A CONSTRUÇÃO/PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO
Autora:
PINTO, Janeth. (UCP)
Co-autores:
BARRETO, Maria Augusta Olivieri Sá. (UCP)
MARTINS, Guilherme Teixeira Azeredo. (UCP)
PAES, Edalma Ferreira. (UCP) – Co-autora
Iniciação Científica:
RODRIGUES, Sandro da Costa. (UCP) – Co-autor
Coordenadores:
GOMES, Márcia Pires Ramos de Magalhães. (UCP)
CAMPOS, Jorge Lúcio de. (UCP)
Dentre os temas mais discutidos nos setores ligados à educação brasileira, destaca-se a preocupação com a qualidade de ensino oferecida por instituições de todos os níveis de escolaridade. Vários têm sido os fatores considerados como responsáveis pela baixa qualidade de ensino, destacando-se, entre esses, a formação inadequada dos professores.
A problemática relacionada à formação de professores torna-se preocupante no momento atual em que um novo milênio se avizinha e as novas tecnologias interferem na função docente em termos de construção, produção e comunicação do conhecimento. A humanidade vive um momento histórico marcado pelo surgimento de valores que,por sua novidade, vem pondo sub judice o próprio conceito de modernidade. A cada vez mais acelerada metamorfose dos dispositivos informacionais (Lévy, 1998) impõe a vigência de um novo modelo de razão, não mais operativo e linear, mas antes, como bem coloca Passarelli (1999), caracterizando por atributos como a interatividade, a mobilidade, a convertibilidade, a interconectividade, a globalidade e a velocidade.
Uma nova ecologia cognitiva (Lévy, 1993) rapidamente se consolida, com isso, colocando em xeque um sistema educacional ainda calcado em velhos paradigmas (Brandão, 1994 e Toralles-Pereira, 1997). Levando-se em conta tal fato, alterações se fazem necessárias na formação dos futuros professores para que estes consigam atender às situações emergentes com as quais já vem se deparando.
Demo enfatiza o significado que a Educação tem na contemporaneidade ao afirmar que "educação é componente substancial de qualquer política de desenvolvimento, não só como um bem em si e como eficaz instrumentação da cidadania, mas igualmente como investimento tecnológico (...) Tal aproximação entre educação e modernidade tecnológica viabilizou, ademais, colocar, de modo tranqüilo e fecundo, o desafio da modernidade: ser moderno é ser capaz de definir e comandar a modernidade"(1999, p. 22) e ainda que "um dos fatores mais decisivos para as oportunidades de desenvolvimento é a produção de conhecimento próprio e sua disseminação popular"(id. Ibid.).
Sendo a Universidade a matriz da produção acadêmica, cabe a ela um papel significativo quer na formação do profissional, que na preparação, quer na preparação de futuro docentes. Contudo, em geral, tais funções não vêm sendo cumpridas de modo satisfatório. Demo coloca também que as instituições de ensino são insubstituíveis como lugares privilegiados de construção do conhecimento (1996, p. 15), alertando, contudo, para o fato de que estas serão rapidamente ultrapassadas pela instrumentação eletrônica que já se caracteriza como a instância vigente de transmissão, coletivização e gestão da informação.
Qual vem sendo, portanto, o papel da instituição escolar num mundo permeado pela mídia? Se essa instituição tem que se direcionar para a construção e a produção do conhecimento, hoje o máximo que ela vem fazendo é tentar preservar a função que, entretanto, lhe está sendo paulatinamente usurpada pelos atuais meios de comunicação?
Devendo estar voltada para o novo, o desafiante, a Escola vem se limitando, de um modo geral, à mera transmissão de conteúdos já bastante defasados no que se refere à realidade presente.
Demo comenta esse problema ao dizer que "nada é mais degradante na Academia do que a cunhagem do discípulo, domesticado para ouvir, copiar, fazer provas e, sobretudo, "colar". Marca o discípulo a atitude de objeto, incapaz ou incapacitado de ter idéias e projetos próprios. Mais degradante ainda é o professor que nunca foi além de discípulo, porque não sabe elaborar ciência com suas próprias mãos; como caricatura parasitária que é, reproduz isso no aluno"(1990, p.17).
Bohoslavsky (1989) destaca também esse ponto de vista na medida em que fala da dificuldade que tem o professor de auxiliara o aluno a desenvolver a reflexão crítica e a criatividade que lhe permite seu resgate enquanto sujeito. Questiona este autor "Quantos professores se preocupam realmente com que seus alunos aprendam a formular perguntas A maior parte de nós está empenhada em que eles dêem respostas; e não e qualquer uma, mas as que coincidem com o que nós, como professores, já demos para um problema que escolhemos ou que a matéria que ministramos destaca como importante" (1989, p. 328).
Como foi dito, um lógos de temperamento interventivo e favorecedor da linearidade – tipicamente representativo do ideário iluminista-moderno – cede espaço, inexoravelmente, o seu lugar a um outro que favorece a interação e a multiperspectividade, de claro temperamento pós-moderno. O impacto dos dispositivos informacionais sobre o instrumental perceptivo humano é cada vez maior, o que demanda uma atenção igualmente crescente voltada para questões como a do conhecimento e a da técnica e seu conseqüente impacto sobre o processo educacional.
Comentando o processo ensino-aprendizagem Freire, numa postura que atende plenamente aos pressupostos acima delineados, é um dos que melhor sintetizam tal estado de coisas ao afirmar que "ensinar e aprender só é válido (...) quando os educandos aprendem a aprender ao aprender a razão de ser do objeto ou do conteúdo (...) implica que os educandos, em certo sentido, "penetrando" o discurso do professor, se apropriem da significação profunda do conteúdo (...). Ensinar é a forma que toma o ato do conhecimento que o professor necessariamente faz na busca de saber o que ensina para provocar no aluno seu ato de conhecimento ... Ensinar é um ato criativo, um ato crítico e não mecânico ... A curiosidade do professor e dos alunos em ação se encontra na base do ensinar-aprender" (1994, p.81)
O estudo se propôs a: (1) investigar o impacto das tecnologias da inteligência na construção do conhecimento em professores vinculados à graduação da Universidade Católica de Petrópolis; e (2) oferecer subsídios para a prática educacional de professores de graduação no que concerne à produção e comunicação do conhecimento face às novas tecnologias da inteligência.
Para alcançar os objetivos do estudo, estão sendo utilizadas as seguintes estratégias: (a) levantamento e discussão de literatura específica dos seguintes temas: tecnologias da inteligênciA, construção e comunicação do conhecimento; (b) entrevista junto aos professores vinculados à graduação da UCP, visando identificar seu grau de informação das tecnologias da inteligência e da sua aplicabilidade no ambiente escolar e (c) montagem de texto que venha auxiliar os professores não apenas a aprofundar seus conhecimentos acerca das tecnologias da inteligência, mas também a aplicá-las apropriadamente em sua prática pedagógica.
Participam do estudo, como auxiliares de pesquisa, alunos do Mestrado em Educação e professores e alunos bolsistas da graduação.
Os professores já entrevistados vêm demonstrando algum conhecimento acerca das novas tecnologias, mas a maioria apresenta certa dificuldade em relaciona-las à sua prática pedagógica.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOHOSLAVSKY, R. "A psicopatologia do vínculo professor / aluno: o professor como agente socializador" em Introdução à psicologia escolar T. A. Queiroz, São Paulo, 1989.
BRANDÃO, Z. (org.) A crise dos paradigmas e a educação. Cortez
DEMO, P. Desafios modernos da educação. Vozes, Petrópolis, 1999.
DEMO, P. Pesquisa: princípio científico e educativo. Cortez, São Paulo, 1990.
FREIRE, P. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Paz e
Terra, Rio de Janeiro, 1994.
LÉVY, P. A máquina universo: criação, cognição e cultura informática. Artes Médicas, Porto Alegre, 1998.
LÉVY, P. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. 34, São Paulo, 1993.
PASSARELLI, B. Multimídia na educação: novos rumos para o conhecimento – a experiência do Núcleo de Apoio à Pesquisa Escola do Futuro/USP", Internet, http://www.pixel.com.br/. (acesso em 12.05.99).
TORALLES-PEREIRA, M. L. Notas sobre educação na transição para um novo paradigma", Interface, 1997 (Agosto).